E é por isso mesmo que eu resolvi reassistir em 2025. E não, ele não perdeu em nada desde a primeira experiência com a obra.
Mesmo depois de mais de 20 anos, o mangá de Fullmetal é considerado uma referência de shounen – e o anime Brotherhood sempre presente em primeiro lugar em milhares de listas por aí, incluindo do My Anime List com a maior nota (perdendo o posto recentemente para Frieren e a Jornada para o Além). Tanto que quando alguém pensa e indicar um anime para um amigo, Fullmetal acaba sendo obrigatório.
A história do começo ao fim é repleta de reviravoltas, mistérios, complexidades em várias camadas. Misturando aventura, drama, fantasia, política, traços culturais marcantes, com doses de humor – tudo em equilíbrio. A narrativa tem um ritmo constante, tudo se conecta, sem enredos dispersos e os benditos fillers – pelo menos no Brotherhood. Tudo bem, a gente sabe que o anime de 2003 tem sua própria história.
Pra quem não sabe, a primeira adaptação em anime aconteceu durante a produção do mangá, fazendo que logo a animação ultrapassasse o mangá e precisando então criar sua própria versão dos acontecimentos. E, mesmo assim, ainda é uma obra única.
Os personagens são muito bem construídos, todos tem o seu propósito na trama e geram muitos envolvimentos emocionais, como no episódio 4 do Brotherhood que ninguém supera até hoje. Se você não sabe do que se trata, continue assim e não procure por spoilers. Os próprios antagonistas não são simplesmente vilões unidimensionais, eles apresentam motivações únicas e até dilemas próprios.
Enquanto isso, o universo de Fullmetal é coerente e com regras muito claras. A Lei da Troca Equivalente, o princípio de nada se perde, tudo se transforma. Para transmutar um objeto que pese um grama, você precisa de um grama de material – não é possível criar algo simplesmente do nada. E isso se estende até o último episódio. Por conta disso, as escolhas sempre têm consequência – inclusive a redenção não vem de graça. Isso cria uma densidade enorme em tudo que acontece durante a trama.
Fullmetal fala sobre maturidade, luto, ética científica, moralidade e questões filosóficas de forma acessível. Em alguns momentos pode parecer complexo, mas no fundo não é tanto assim. É bem simples na verdade. Nada se perde, tudo se transforma – e até os personagens.
E tudo isso envolto de uma história super cativante, que evita clichês vazios, com uma animação fluida e trilha sonora que ninguém esquece.
E é por isso mesmo que eu resolvi reassistir em 2025. E não, ele não perdeu em nada desde a primeira experiência com a obra.
